O modelo
Ontem referi aqui no blog como é importante organizar num rascunho o conteúdo do nosso CV. Pois bem, hoje escrevo sobre como é importante personalizar o nosso CV.
Cada um de nós é único como pessoa e, como tal, deverá ter um modelo de CV único.
O meu 1º CV tinha o formato standard do Europass:
Mas, a não ser que vos peçam explicitamente, por favor, não adoptem este modelo como o vosso modelo. É tudo menos único. É prático, é universal, mas não é vosso!
Na 2ª versão do meu CV, usei alguns dos títulos do modelo Europass mas adoptei por uma formatação horizontal. Deixo-vos um exemplo de um CV simples, clean e com a informação necessária:
E desde a minha 2ª versão, tenho optimizado o conteúdo mas mantido sempre o formato horizontal. Optimizar o conteúdo é uma tarefa contínua. Nós envelhecemos, vivemos diferentes experiências, e aprendemos a priorizar de forma diferente. Assim sendo, o nosso CV também muda ao londo dos tempos. Muda connosco.
Conteúdo "Education":
- Quando escrevi o meu 1º CV, inseri a minha escola secundária (onde é que isso já vai!) nesta secção, coisa que já não tenho hoje no meu CV actual.
- Quando fiz o meu 1º CV estava ainda a estudar na universidade, pelo que optei por descrever um pouco mais o meu curso. Hoje, tenho apenas 2 linhas sobre a minha formação académica: o meu mestrado e o meu doutoramento (e toda a informação necessária: datas de início e conclusão, título das teses e nome da universidade).
- Só deves colocar a tua nota de curso se achares que é relevante para a posição que estás a concorrer! (E claro, se a nota for minimamente boa. Aqui temos um dos critérios mais subjectivos, varia de curso para curso e depende muito de ti!).
Conteúdo "Work Experience":
- Se acabaste agora o teu curso universitário ou o ensino secundário e não tens experiência profissional, podes colocar neste secção todas as actividades que desenvolveste durante a tua formação académica. Como por exemplo,se participaste na organização de alguma jornada, se fizeste alguma bolsa de iniciação à investigação, se deste explicações, se participaste em projectos, etc...
- Se trabalhavas enquanto estudavas, tens que ter muito cuidado com a forma como abordas esse trabalho: foi importante para a tua formação? Ou foi apenas por uma questão monetária? É importante que as pessoas que te avaliam, saibam que és um lutador e que conseguiste pagar as tuas despesas, mas se trabalhaste, p. ex., numa loja de roupa ou num restaurante/café, e estás a concorrer a uma oportunidade de engenheiro/a electrónico/a, até que ponto tens que mencionar isso? Não tens! A tua work experience deve ser significativa para a tua área onde estás a concorrer. Se não for significativa, podes adicionar uma secção de "outras experiências pessoais" e, aí sim, mencionar o teu trabalho em part-time.
- Se já trabalhaste e estás à procura de um novo emprego, então esta secção é simples de preencher: basta colocares a data de início e fim (ou "to present") e fazer uma breve descrição das tuas funções principais. Assim, mostras o que sabes fazer, e que áreas dominas mais.
Volto a referir: o conteúdo do nosso CV é dinâmico. A partir do momento em que começas a trabalhar, toda a tua secção de work experience fica muito mais sucinta e clara.
Conteúdo "Spoken languages":
- É nesta secção que os candidatos fazem mais batota no seu CV! Por isso, tenta ser o mais verdadeiro/a que consigas e só deves colocar as línguas que realmente interessam. Por exemplo, no meu caso, eu falo português e inglês fluentemente, mas já aprendi francês na escola, alemão num curso de iniciação e encontro-me a aprender espanhol. Se vou concorrer para uma oportunidade na França ou Suíça, é óbvio que vou realçar o francês e alemão, embora sejam níveis muito básicos.
- Esta secção deve ser preenchida de acordo com a oportunidade a que estás a concorrer.
Outras secções:
- Events & Courses (p. ex., de línguas, workshops, formações, etc...)
- Publications
- Communications (muito comum para quem apresenta o seu trabalho em conferências)
- Technical skills (p. ex., se dominas alguma linguagem de programação, ou alguma técnica científica conhecida)
- Soft skills (p. ex., actividades que mostrem a tua capacidade de organização, voluntariado, etc...)
Para terminar este post, deixo-vos com uma dica preciosa que recebi há algum tempo atrás de alguém com muita experiência na procura activa de trabalho:
---> nada melhor que personalizar o teu CV com uma secção inicial de "Objectives":
- Esta secção é fundamental para que numa questão de segundos consigam perceber a tua experiência (pessoal e profissional) e qual o caminho que pretendes tomar agora.
- Deves dividir esta secção em 3 partes: 1) apresentas-te, indicando a tua formação (p. ex., "Electronic Engineer") e a experiência nessa área; 2) indicas os teus interesses, o que te cativa na tua área; 3) mostras os teus objectivos, o que pretendes (p. ex, "At the moment, I am looking for an opportunity to...").
- É neste secção que tu mostras um CV personalizado à oportunidade que concorres. Por isso, atreve-te a ser diferente! Capta a atenção de quem te lê para que fique curioso por ler o que és/tens nas secções mais abaixo.
Todo o conteúdo do teu CV é único, é teu. E deve ser escrito sem erros e sem abreviações. Deve mostrar profissionalismo da tua parte, por isso, empenha-te! Dedica algumas das tuas horas a escrever e formatar o teu CV. E partilha as tuas ideias connosco, aqui no blog.